Fotografia

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29 de setembro de 2017

O resgate do passado pela fotografia


Ser inovador também é revisitar aquilo que já foi tendência um dia

Óleo sobre Iphone; obra de Maria Fernanda Lucena, exposta em SP, na maior feira de arte da América do Sul

Entrelaçado ao conceito de novidade, o termo inovação parece evocar, naturalmente, o futuro. Estranho seria pensar que o passado também pode inspirar concepções mais arrojadas e até mesmo inéditas. A esfera artística tem retratado, com certo vanguardismo, possibilidades muito singulares advindas dessa união. Na fotografia, por exemplo, a sincronia desses dois extremos – passado e futuro – denuncia quase um retorno às origens.

De acordo com a supervisora dos cursos de fotografia e artes visuais do Centro Europeu, Charly Techio, reinventar-se é palavra de ordem para qualquer artista e, na fotografia, esse esforço tem, cada vez mais, revelado um vínculo com o passado. Por essa perspectiva, renovar nada mais é que resgatar técnicas que, um dia, já foram a tendência. “Ao passo que na fotografia comercial as técnicas analógicas estão em desuso, na fotografia autoral pode-se e deve-se explorar todos esses recursos. Por isso há um movimento de muitos artistas de reivindicar o antigo”, esclarece.

Um dos exemplos mais icônicos citados por Charly são os smartphones, que extrapolam seu uso como ferramenta, se tornando conceito ou temática no território da arte. “Eles ganham a posição de suportes, como o caso de uma artista que imprimiu uma imagem fotográfica na tela do celular. As primeiras fotografias eram feitas em negativos de vidros, e o laboratório PB era fonte de alternativas e criatividade para ideias mais ousadas, permitindo a pesquisa de outras superfícies de impressão. Porém, unir o passado e a atualidade da fotografia, de forma tão evidente, é uma tendência dos movimentos contemporâneos” argumenta

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Fotografia em placa úmida de colódio (tela de smartphone); Obra de Tiana Chinelli

A nova concepção é tão inovadora, que a esfera da arte tem emprestado essa estratégia para criações em outras plataformas. “Temos artistas que utilizaram o iPhone como tela de pintura mesmo. É um casamento perfeito entre o que há de mais atual em termos tecnológicos e o mais antigo, como pintura a óleo”, exemplifica a supervisora.

No entanto, desatar as amarras, em uma tentativa de libertar o olhar criativo e sensível que mora em cada um, é missão árdua. Tanto é que ela exige, muitas vezes, um direcionamento mais focado de quem tem contato direto com os desafios e referências do mercado de trabalho. Os cursos de fotografia e artes visuais do Centro Europeu prezam pela transmissão de lições mais práticas e tangíveis a partir de uma equipe de docentes escolhida a dedo e ativa no segmento. Com esse time, impossível é não deixar transbordar o espírito artístico!

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