Profissões

Compartilhe

0
Shares
0 0 0 0
FOTO: Nikos On The Run
9 de março de 2018

Conheça GOBBI o prodígio da música eletrônica curitibana


No dia do DJ preparamos um post especial com uma das pratas da casa: Matheus Gobbi, talento que o Centro Europeu Aimec ajudou a formar.

FONTE: Acervo do artista

FOTO: Nikos On The Run

Matheus Gobbi é um curitibano apaixonado por música eletrônica e tem mostrado todo seu talento em todo lugar!

Seu interesse por essa arte surgiu ainda cedo, através da influência do irmão mais velho que na época, 2012, estava se envolvendo com a arte de discotecar e deu os primeiros ensinamentos para o então garoto entusiasta com a cena.

Conforme o interesse pela música eletrônica cresceu, Matheus iniciou o curso de dj do Centro Europeu Aimec e, no auge de seus 15 anos trocou as atividades de sua idade pela dedicação à arte. Ele foi o aluno mais novo de sua turma e, por vezes, precisou da presença de seus pais para tocar nos clubes curitibanos. Sendo o clube Vibe o palco de uma das primeiras conquistas, lá ele foi campeão numa competição de discotecagem.

A partir desse momento a preocupação em atuar na cena de forma profissional se torna natural e o jovem começa a buscar mais aperfeiçoamento. Após isso, o talento do dj e então produtor fez com que ele lançasse tracks pelas gravadoras Sweetuf Records e Quiero Recordings.

A atuação na cena e identidade sonora

FONTE: Acervo do artista

FOTO: Eugenio Fernandes

Em terras tupiniquins, o Matheus foi parte de diversos lines do circuito underground de festas da cena curitibana. Atualmente, ele reside em Melbourne, na Austrália, onde atua com seu projeto Gobbi.

Musicalmente, o produtor opta por consumir novidades. Segundo o próprio Matheus “gosto de escutar artistas novos que me apresentem conteúdo novo e ideias novas”, sendo a cena mais underground um terreno fértil para seu gosto e suas tracks que se transformam a cada novo lançamento.

Atualmente o trabalho de Gobbi é difícil de enquadrar em uma vertente especifica, pois suas composições bebem água de muitos gêneros, indo do techno à MPB. Com progressão suave e elementos melódicos bem inseridos, o som de Gobbi é capaz de levar os ouvintes de suas tracks á uma viagem em um caminho introspectivo e único.

Exemplo disso é seu último álbum, Cafundó, que reflete toda a musicalidade e bagagem sonora adquirida ao longo dos anos pelo produtor. Esse trabalho é composto por seis músicas desenvolvidas ao longo de 2017. Abaixo você confere as tracks que fazem parte desse trabalho.

A fim de aprimorar sua musicalidade, Matheus estuda, hoje, engenharia de áudio na Oceania. Na visão do brasileiro, a cena underground curitibana tem elementos muito similares com esse segmento de lá. Sendo isso um ponto que ressalta um assunto importante: a profissionalização da cena.

A visão de Gobbi sobre a profissionalização da cena

FONTE: Acervo do artista

FOTO: Eugenio Fernandes

Tendo em vista que o produtor teve contato com a cena de lados opostos do globo, sua visão de música eletrônica pode ser tida como mais ampla do que a de quem vive essa experiência somente aqui. Sendo assim, ao ser questionado sobre o crescimento e profissionalização que o mercado vem sofrendo, ele ressalta a importância desse crescimento e aponta os dois lados dessa moeda, para ele:

A cena da musica eletrônica definitivamente tem crescido de uma forma exponencial, e é inevitável que a profissionalização da mesma aconteça cada vez mais. Eu acredito que tenham lados bons e lados ruins nessa historia. O lado bom é que isso abre cada vez mais portas para o público e para os artistas, por exemplo, a 5 anos atrás era muito difícil ver uma festa acontecendo em uma praça ou até mesmo na rua tendo alvará e autorização da prefeitura, coisa que vemos acontecendo cada vez mais. Cada vez mais grandes festivais estão indo em peso para o Brasil, podemos usar de exemplo o Dekmantel o DGTL e até mesmo Burning Man que terá esse ano sua edição no Brasil, coisas que muitos imaginavam que nunca aconteceria. Porém analisando por outra perspectiva toda essa profissionalização às vezes caminha para um lado meio obscuro da cena onde algumas pessoas usam e abusam da cena para lucrar e não para somar na cena como um todo e fazer acontecer pela música que é o principal motivo de tudo isso. A cena como um todo movimenta uma gama gigante de artistas, não só DJ’s e produtores mas também designers, artistas plásticos e basicamente todo tipo de arte. Sendo assim, quando a cena se concentra nas mãos erradas são muitas as pessoas que saem prejudicadas.

 

Com esse crescimento e profissionalização da cena, as instituições de ensino voltadas a esse mercado se tornam extremamente importantes para esse processo, pois elas são as responsáveis para que isso seja feito com qualidade.

Para Gobbi, essas escolas são um ponto chave para a formação de profissionais de qualidade que atuarão na cena por amor à música e ajudarão a música eletrônica crescer mais e mais. Tendo ele elencado alguns elementos que considera primordial à esse tipo de instituição. Tais como: uma estrutura adequada, profissionais atuantes no mercado e suporte integral ao aluno. Segundo ele:

Primeiramente a presença de profissionais qualificados e com experiência no mercado. Sendo assim, quem procura se destacar nesse mercado tem a quem recorrer quando dúvidas surgirem. Acredito que todos que procuram se inserir nesse mercado tem que ter o mínimo de sede por conhecimento sobre essa arte. Ou seja, o papel das escolas deve ser dar o máximo de suporte e ajuda para quem realmente quer levar isso a sério, nenhuma escola pode fazer mágica por alguém, é completamente dependente de quem esta aprendendo se dedicar.

 

Quando Matheus fez os cursos de DJ e Produção Musical do Centro Europeu Aimec, recebeu o amparo necessário para alavancar sua carreira de forma profissional. Sendo isso um forte impulso para que ele se tornasse o artista completo que é hoje. Segundo sua experiência, ele afirma que:

O Centro Europeu Aimec foi essencial na minha formação, sem dúvidas. Eu entrei sendo uma criança que muitas vezes as pessoas não levavam muito a sério, mas os professores estavam sempre me incentivando e me provando que idade não era um requisito para ser DJ. O que eu mais gosto da escola é o carinho que os professores tem pelos seus alunos. Sigo tendo contato com a maioria dos professores que hoje em dia são meus amigos. Acho que vale a pena reforçar essa relação, pois para quem esta sempre em busca de desenvolver mais e mais o conhecimento, é muito bom ter a quem recorrer quando ficamos sem respostas para algumas coisas.

 

Toda essa bagagem vivenciada por Matheus deram ao jovem produtor uma visão e expectativas sobre a cena mundial e curitibana da música eletrônica. Quando ele foi questionado sobre essas prospecções, Gobbi tem a firmeza dos dois pés no chão para afirmar que esse mercado só irá crescer mais e mais. Segundo ele:

A cena da música eletrônica tende a crescer mais e mais devido a grande aderência com o público. Cada dia mais a música eletrônica está conquistando novos públicos, sendo eles de diversas faixa etárias e diversas etnias. Temos ótimos artistas no mercado que estão fazendo o que fazem pelo amor a musica e estão fazendo muito bonito. A música cada dia mais está recebendo seu devido valor, pois não é de hoje que a música serve de refúgio para muita gente. Agora falando especificamente sobre Curitiba. Posso dizer que me orgulho do movimento que está acontecendo na nossa cidade nos últimos anos, estamos fazendo bonito, tirando as festas de dentro dos clubes e levando para novos lugares com novas caras e novas energias. Caminhando para o mesmo caminho que São Paulo, saindo dos meios tradicionais de festa e apresentando novo conteúdo para o público, o qual vem reagindo extremamente bem a isso. Os núcleos independentes de música em Curitiba fazem o que fazem por amor, mantendo a essência da cultura raver que vem de muitos anos atrás. Acredito que valha a pena citar alguns dos núcleos que vem fazendo bonito em Curitiba para pessoas que não conhecem poderem se introduzir nessa cena. A galera da Sweetuf tem representado nesse quesito, e tenho orgulho de falar que faço parte dessa família, temos também núcleos como Gato Pardo, 4×4, Patterns, Repulsa, Redoma, Kambô, Meia Vida entre outros.

 

Contudo, se você ainda não conhecia o trabalho de Gobbi, vale a pena apreciar um artista nacional que está fazendo bonito em todo o mundo. Para ficar por dentro dos novos releases do artista e baixar seu último álbum gratuitamente, acompanhe seu site: https://mthsgb.wixsite.com/gobbi

Texto: Alexsandro Bueno

Compartilhe:


Deixe seu comentário